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Será misofonia ou outro tipo de sensibilidade ao som?

Índice

O som de alguém a mastigar, a respirar, a bater com uma caneta ou a clicar num teclado pode parecer normal para a maioria das pessoas. Para alguém com misofonia, no entanto, um som específico pode provocar uma reação imediata e invulgarmente intensa.

Essa reação pode incluir raiva, repulsa, ansiedade, tensão física ou uma forte vontade de afastar-se da situação. É importante referir que a reação não está necessariamente relacionada com o volume do som. Um estímulo silencioso pode ser muito mais angustiante do que um som mais alto que não tenha qualquer significado específico para essa pessoa.

Esta distinção é importante porque nem todas as formas de sensibilidade ao som constituem misofonia. Os sons do quotidiano podem tornar-se incómodos por várias razões, incluindo hiperacusia, zumbido, perda auditiva, doenças do ouvido ou ansiedade associada a determinados ambientes.

Atualmente, não existe um único teste auditivo que permita diagnosticar a misofonia. No entanto, uma avaliação audiológica pode constituir um primeiro passo importante. Ajuda a determinar se a audição e a função auditiva estão normais, identifica outras condições que possam estar presentes e fornece informações mais claras sobre quais os profissionais que devem ser consultados em seguida.

Na AudioCare, o objetivo da avaliação não é atribuir um diagnóstico prematuramente. Trata-se de compreender o que a pessoa sente, investigar possíveis fatores auditivos e recomendar um percurso clínico adequado.

A misofonia é mais do que simplesmente não gostar de um som

Todos achamos certos sons irritantes. A misofonia refere-se a algo mais específico e mais intenso.

De acordo com a definição consensual atual, a misofonia caracteriza-se por uma tolerância reduzida a determinados sons ou a estímulos associados a esses sons. Estes fatores desencadeantes provocam fortes reações emocionais, fisiológicas e comportamentais que a maioria das outras pessoas não sentiria na mesma situação.

Entre os fatores desencadeantes mais frequentemente referidos contam-se mastigar, engolir, cheirar, limpar a garganta, respirar, clicar com a caneta, os sons do teclado e batidas repetitivas. Os movimentos visuais associados a um som também podem tornar-se angustiantes, como ver alguém a preparar-se para mastigar ou a mover repetidamente um pé.

A reação pode manifestar-se muito rapidamente. Uma pessoa pode sentir raiva, repulsa, angústia, pânico, tensão muscular ou uma necessidade urgente de fugir. Algumas ficam em estado de alerta máximo em situações em que esperam que o fator desencadeante ocorra.

A misofonia pode afetar as refeições, o trabalho, a educação, as viagens e as relações íntimas. Uma pessoa pode evitar comer com os familiares, ter dificuldades num escritório partilhado ou tornar-se incapaz de se concentrar quando há um som repetitivo.

A gravidade varia consideravelmente. Para algumas pessoas, a misofonia é uma frustração ocasional. Para outras, causa perturbações significativas e leva a comportamentos de evitação.

Atualmente, a misofonia não é definida pelo volume do estímulo desencadeante. Um som relativamente suave pode provocar uma reação grave, enquanto um som muito mais alto, mas que não desencadeia a reação, pode ser tolerado. O padrão, o contexto e o significado pessoal do som são frequentemente mais relevantes do que a sua intensidade física.

A misofonia, a hiperacusia e a fonofobia não são a mesma coisa

Condições diferentes de tolerância ao ruído podem apresentar sintomas que se sobrepõem, mas não devem ser automaticamente consideradas como o mesmo problema.

A hiperacusia está geralmente associada a uma tolerância reduzida ao volume dos sons do quotidiano. Os sons que a maioria das pessoas considera agradáveis podem parecer excessivamente altos, incómodos ou até mesmo dolorosos. A reação está normalmente mais intimamente ligada à intensidade do som e pode envolver uma vasta gama de ruídos.

Uma pessoa com hiperacusia pode sentir dificuldades com o ruído do trânsito, os eletrodomésticos, o barulho dos pratos ou música com um volume moderadamente elevado, uma vez que estes sons lhe parecem fisicamente avassaladores.

A misofonia é mais seletiva. A dificuldade centra-se geralmente em padrões sonoros específicos, muitas vezes produzidos por outra pessoa. O mesmo estímulo pode continuar a ser angustiante mesmo quando o volume é baixo, enquanto outros sons com um nível de volume semelhante ou superior não causam qualquer dificuldade.

A fonofobia refere-se ao medo do som ou ao medo de que o som cause danos. Pode envolver ansiedade antecipatória e comportamentos de evitação, especialmente quando uma pessoa espera que um som seja doloroso, perigoso ou incontrolável.

O zumbido é um caso à parte. Consiste em ouvir um som sem que haja uma fonte externa correspondente, sendo frequentemente descrito como um zumbido, um chiado ou um silvo. No entanto, o zumbido, a hiperacusia e a misofonia podem coexistir, o que pode tornar a experiência da pessoa mais complexa.

A perda auditiva também pode alterar a forma como os sons são percebidos. Algumas pessoas sofrem de «recrutamento», uma situação em que o intervalo útil entre ouvir um som e considerá-lo desconfortavelmente alto fica reduzido. Outras têm mais dificuldade com sons distorcidos ou pouco nítidos do que com o próprio volume.

Estas diferenças nem sempre podem ser identificadas a partir de uma breve descrição. É necessário um historial clínico detalhado e a realização de exames adequados para determinar quais as características presentes e se poderá estar em causa mais do que uma doença.

Por que razão uma avaliação audiológica continua a ser importante

Muitas pessoas com misofonia apresentam limiares auditivos dentro dos valores clinicamente normais. No entanto, um resultado normal na audiometria não torna os sintomas da pessoa menos reais. Apenas fornece informações úteis sobre uma parte do sistema auditivo.

A audiometria de tom puro mede os tons mais baixos que uma pessoa consegue detetar em diferentes frequências. Permite identificar perda auditiva, assimetria entre os ouvidos e padrões que possam exigir uma investigação mais aprofundada.

A audiometria de fala avalia o reconhecimento de palavras faladas. Isto pode ser relevante quando a pessoa refere não só intolerância ao ruído, mas também dificuldade em compreender a fala.

A otoscopia por vídeo permite examinar o canal auditivo e o tímpano. Permite identificar problemas visíveis, tais como excesso de cera, inflamação ou anomalias do tímpano que possam contribuir para o desconforto ou para a alteração da audição.

A timpanometria avalia a forma como o tímpano e o sistema do ouvido médio respondem às variações da pressão atmosférica. Pode revelar a presença de líquido no ouvido médio, disfunção da pressão ou mobilidade reduzida do tímpano.

Dependendo dos sintomas, poderão ser considerados exames adicionais. O objetivo não é comprovar a misofonia através de um audiograma, mas sim determinar se outra condição auditiva ou médica poderia explicar parte dessa experiência.

Estudos audiológicos realizados com adultos que referem misofonia revelaram que muitos apresentam uma sensibilidade auditiva periférica normal, embora alguns também refiram zumbido, hiperacusia, dificuldades auditivas ou problemas em compreender a fala em ambientes ruidosos. Isto reforça a necessidade de uma avaliação individual, em vez de suposições.

Uma pessoa pode sofrer de misofonia e ter uma audição normal. Outra pode sofrer de misofonia e ter perda auditiva. Uma terceira pode, inicialmente, suspeitar de misofonia, mas apresentar um padrão mais consistente com hiperacusia ou outra condição relacionada com os ouvidos.

O percurso clínico recomendado não será idêntico em todos os casos.

O que a avaliação deve analisar para além do audiograma

A consulta deve começar com a descrição do problema feita pela pessoa.

Que sons desencadeiam a reação? A resposta depende de quem emite o som? Está relacionada com o volume, a repetição, a proximidade ou o contexto? A pessoa sente dor, desconforto físico, raiva, repulsa, medo ou pânico?

É igualmente importante determinar quando os sintomas começaram, se sofreram alterações e de que forma afetam a vida quotidiana.

Um profissional de saúde pode perguntar se a pessoa evita refeições, transportes públicos, locais de trabalho ou atividades sociais. Pode também averiguar se existem sintomas como zumbido, tonturas, pressão nos ouvidos, dor ou alterações na audição.

Este historial ajuda a distinguir uma resposta seletiva a um estímulo de uma intolerância mais geral ao som.

Não existe uma bateria de testes clínicos universalmente aceite para o diagnóstico da misofonia. Existem questionários e instrumentos de autoavaliação, mas as pesquisas que sustentam os diferentes instrumentos continuam a ser inconsistentes. Estes não devem ser considerados ferramentas de diagnóstico automáticas sem interpretação clínica.

Os testes de níveis de intensidade sonora desconfortáveis são, por vezes, utilizados quando se suspeita de hiperacusia, mas devem ser realizados e interpretados com cautela. A tolerância ao som é influenciada pelas instruções, pelas expectativas, pela ansiedade e pelo método de teste. Um único resultado não pode descrever a experiência na sua totalidade.

A avaliação mais informativa combina o historial da pessoa, o exame otológico, os testes audiológicos adequados e o impacto funcional dos sintomas.

Na AudioCare, a audiometria de tom puro e de fala, a videootoscopia, a timpanometria e a avaliação otorrinolaringológica podem ajudar a investigar os aspetos auditivos e médicos da queixa. Nos casos em que os resultados sugiram que também é necessário apoio psicológico ou comportamental, é essencial o encaminhamento para um profissional devidamente qualificado.

Uma avaliação clara ajuda a definir o próximo passo

A gestão da misofonia continua a ser uma área em evolução. A investigação sobre o tratamento continua a ser limitada e não existe uma abordagem única adequada para todas as pessoas.

Uma vez que a AudioCare não presta tratamento psicológico, seria incorreto sugerir que uma avaliação audiológica, por si só, resolve a misofonia. O seu valor reside no esclarecimento, na exclusão de outros problemas e no encaminhamento adequado.

Quando se identifica perda auditiva, disfunção do ouvido médio, zumbido ou hiperacusia, estes achados podem ser tratados ou investigados através do percurso clínico adequado de audiologia ou otorrinolaringologia.

Quando a audição e a função auditiva parecem normais, mas o historial continua a ser compatível com misofonia, pode ser adequado recorrer a apoio psicológico ou multidisciplinar. As abordagens descritas na literatura incluem formas de terapia cognitivo-comportamental e intervenções destinadas à regulação emocional, à gestão de situações difíceis e à redução do impacto funcional dos fatores desencadeantes. A base de evidências ainda está em desenvolvimento, pelo que o tratamento deve ser individualizado.

As pessoas devem ter cuidado com conselhos que prometam curar a misofonia rapidamente ou que recomendem evitar completamente todos os sons desencadeantes. A evitação constante pode tornar-se altamente restritiva e pode aumentar o transtorno causado pela condição.

O primeiro objetivo é compreender com precisão o que está a acontecer.

Não se deve dizer a uma pessoa que tem reações fortes a sons específicos que está simplesmente a ser intolerante. Ao mesmo tempo, o termo «misofonia» não deve ser aplicado a todas as reações desagradáveis ao ruído sem que haja uma avaliação prévia.

Na AudioCare, uma avaliação abrangente da audição e da saúde auditiva pode constituir um ponto de partida importante. Esta avaliação permite determinar se existe perda auditiva, disfunção do ouvido médio, zumbido, hiperacusia ou outro problema auditivo, e indicar se é necessário recorrer a um otorrinolaringologista ou a apoio psicológico externo.

A misofonia não pode ser diagnosticada apenas com base num audiograma. No entanto, exames audiológicos minuciosos podem substituir a incerteza por informação clínica útil e ajudar a garantir que a pessoa seja encaminhada para o tipo de apoio adequado.

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