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O que é que a audiometria de alta frequência acrescenta a uma consulta?

Índice

A maioria das pessoas que já fez um teste de audição reconhece o procedimento básico: auscultadores, uma série de tons e um botão para premir sempre que um som se tornar audível.

O que muitos não sabem é que um audiograma convencional examina apenas uma parte da gama de frequências que o sistema auditivo humano consegue detetar.

A audiometria de tom puro de rotina costuma centrar-se em frequências até aos 8 kHz. Essa gama é clinicamente importante, pois contém grande parte da informação necessária para avaliar a audição no dia a dia e compreender os padrões comuns de perda auditiva.

Mas a cóclea não deixa de responder aos 8 kHz.

A audiometria de alta frequência, ou de alta frequência alargada, aprofunda a avaliação, examinando normalmente frequências superiores a 8 kHz. Na AudioCare, os testes podem estender-se à faixa de 9 a 16 kHz, utilizando equipamento calibrado especificamente para estas frequências.

Isso significa, automaticamente, que se trata de um teste auditivo «melhor»? Não.

Responde a uma questão diferente.

Quando utilizada no contexto clínico adequado, a audiometria de alta frequência pode revelar informações que, de outra forma, ficariam fora do audiograma padrão. No entanto, quando utilizada sem contexto, uma resposta reduzida a 12 ou 16 kHz pode dizer-nos surpreendentemente pouco.

O valor não reside em testar mais frequências apenas por testar, mas sim em saber quando essas medições adicionais podem alterar a nossa compreensão da audição de uma pessoa.

O audiograma padrão tem um limite deliberado

A audiometria de tom puro convencional não é incompleta simplesmente porque, normalmente, termina aos 8 kHz.

A sua gama de frequências foi escolhida porque fornece informações clinicamente úteis sobre a sensibilidade auditiva em frequências que são extremamente relevantes para a comunicação e para a identificação de muitos tipos comuns de perda auditiva.

Um audiograma padrão pode revelar se a audição se encontra dentro dos limites esperados, se a perda é ligeira ou mais significativa, se existe uma diferença entre os dois ouvidos e se o padrão sugere um problema de condução, neurossensorial ou misto, quando combinado com testes de condução óssea.

Na maioria das avaliações de rotina, essa informação é fundamental.

O que não nos consegue dizer é o que se passa nas frequências que não mede.

Imagine um doente cujos limiares entre os 250 Hz e os 8 kHz se situem dentro dos limites convencionais, mas que refira zumbido ou uma alteração subtil na audição após um período de exposição significativa ao ruído. Um audiograma convencional pode, de facto, revelar-se normal. Isso não significa que o teste tenha falhado.

Isso significa que, na gama de frequências analisada, não foi demonstrada qualquer anomalia no limiar.

A extensão do teste para frequências superiores a 8 kHz permite ao audiologista examinar outra região da função coclear.

Esta distinção é importante porque a região basal da cóclea, que responde às frequências mais elevadas, pode ser particularmente suscetível a fatores como o envelhecimento e certos medicamentos ototóxicos. A investigação continua também a analisar se as medições prolongadas de altas frequências podem revelar alterações associadas à exposição ao ruído antes de os limiares convencionais serem afetados.

Isto faz com que a audiometria de alta frequência seja uma ferramenta adicional, e não um substituto do audiograma padrão.

Em que situações os testes de alta frequência podem ser especialmente úteis

Uma das aplicações clínicas mais evidentes é a monitorização da ototoxicidade.

Alguns medicamentos podem causar danos às estruturas do ouvido interno. Certos agentes quimioterapeuticos e antibióticos aminoglicosídicos estão entre os exemplos mais bem documentados, embora o risco dependa do medicamento específico, da dose, da duração do tratamento, da suscetibilidade individual e de outros fatores médicos.

Os danos ototóxicos afetam frequentemente, em primeiro lugar, as regiões de frequências mais elevadas.

Por esse motivo, os limiares de alta frequência alargados podem revelar-se úteis quando um doente está a ser monitorizado antes, durante ou após o tratamento com um medicamento que se sabe apresentar um risco ototóxico clinicamente relevante.

Neste contexto, uma linha de base individual pode revelar-se particularmente importante.

Em vez de se limitar a perguntar se um valor-limite é «normal» em comparação com uma referência populacional, o médico pode comparar os resultados mais recentes com as medições anteriores da própria pessoa. Desta forma, é possível detetar uma alteração significativa, mesmo quando as frequências convencionais se mantêm relativamente estáveis.

Trata-se de uma utilização do teste muito diferente da realização de um audiograma pontual de alta frequência num adulto, de resto saudável.

A audiometria de alta frequência também pode ser considerada quando uma pessoa refere sintomas auditivos, apesar de os seus limiares convencionais se situarem dentro dos limites esperados.

Um estudo clínico realizado em 2024 analisou doentes com queixas auditivas cujos audiogramas convencionais apresentavam resultados normais até aos 8 kHz. Testes mais aprofundados identificaram perda auditiva nas altas frequências numa proporção significativa desse grupo selecionado.

Isso não significa que todas as pessoas com um audiograma normal e que se queixam de problemas auditivos tenham uma perda auditiva de alta frequência «oculta». O estudo envolveu uma população clínica específica e os próprios autores apelaram à obtenção de mais evidências para definir em que circunstâncias se devem realizar exames mais aprofundados de forma rotineira.

O que isto demonstra é que, em casos específicos, ir além dos 8 kHz pode fornecer informações que a audiometria convencional não consegue fornecer.

A exposição ao ruído é um tema interessante, mas a sua interpretação exige cautela

A audiometria de alta frequência é frequentemente descrita como uma forma de detetar lesões auditivas causadas pelo ruído mais cedo do que um audiograma padrão.

Existem indícios que sustentam essa possibilidade, mas a formulação é importante.

Estudos sobre o ruído recreativo e os dispositivos de audição pessoais revelaram que algumas pessoas com uma exposição mais intensa ou prolongada apresentam limiares mais baixos nas frequências altas mais elevadas, apesar de os audiogramas convencionais se manterem dentro dos limites normais.

Uma análise recente de estudos realizados em ouvintes mais jovens revelou que muitos deles referiram diferenças na faixa de 9 a 16 kHz, nomeadamente em torno dos 12 a 14 kHz, em grupos com maior exposição a dispositivos de audição pessoais.

Mas nem todos os estudos constataram o mesmo efeito.

Os estudos variam consideravelmente no que diz respeito à forma como a exposição auditiva é medida, às frequências testadas, ao equipamento utilizado e à forma como os participantes são agrupados. Os hábitos de audição auto-relatados também dificultam a quantificação precisa da exposição.

Assim, um limiar elevado de 14 kHz não pode ser utilizado como um simples comprovativo biológico de que os auscultadores causaram danos à audição de alguém.

Da mesma forma, um resultado normal num exame de alta frequência prolongado não garante que não tenha ocorrido qualquer exposição prejudicial.

É aqui que a interpretação clínica se torna mais importante do que o dado adicional.

Um audiologista deve ter em conta a idade, o historial de exposição ao ruído, os sintomas, os limiares convencionais, os resultados anteriores e a fiabilidade do teste antes de decidir o que significa, na realidade, um resultado de alta frequência alargado.

O teste pode aumentar a sensibilidade em determinadas situações. Não elimina a incerteza.

A idade altera o significado do resultado

A audição nas frequências altas sofre alterações substanciais ao longo da idade adulta.

Mesmo as pessoas com boa audição convencional tornam-se frequentemente menos sensíveis às frequências muito altas à medida que envelhecem. Este declínio tende a tornar-se mais pronunciado à medida que a frequência aumenta.

Isto suscita um importante problema de interpretação.

Se uma pessoa de 65 anos não apresentar resposta aos 16 kHz, essa observação não tem o mesmo significado que um resultado idêntico numa pessoa de 20 anos.

Os dados de referência para as altas frequências alargadas são também menos consolidados e menos uniformes do que os utilizados na audiometria convencional. Estudos realizados em idosos revelaram uma variação considerável nos limiares entre indivíduos, e os investigadores continuam a salientar as limitações dos dados normativos nestas frequências.

O equipamento também é importante.

Os testes acima dos 8 kHz requerem transdutores adequados e calibração. Pequenas diferenças na colocação dos auscultadores podem influenciar o limiar medido em frequências muito elevadas de forma mais acentuada do que os clínicos estão habituados a observar na gama convencional.

Esta é mais uma razão pela qual a monitorização contínua pode ser particularmente informativa.

Se o objetivo for detetar alterações, comparar um doente com o seu próprio valor de referência, obtido com cuidado, pode, por vezes, ser mais significativo do que comparar um limiar isolado com uma média geral da população.

A audiometria de alta frequência produz, portanto, valores que exigem um contexto.

Um gráfico que se estende até aos 16 kHz pode parecer mais abrangente, mas um maior número de medições não significa automaticamente maior certeza.

Não substitui os exames de fala nem explica todas as dificuldades auditivas

Há outra limitação que é particularmente importante que os doentes compreendam.

A audiometria de alta frequência continua a ser um teste de deteção de tons puros.

O teste verifica se consegue detetar um tom com uma determinada frequência e intensidade.

Não mede diretamente o seu nível de compreensão da conversa.

Pode haver alguém que, apesar de apresentar limiares de alta frequência alargados, consiga comunicar de forma muito eficaz em situações do quotidiano. Outra pessoa pode ter limiares convencionais que parecem relativamente bons, mas que tem dificuldades consideráveis em acompanhar a fala em ambientes com ruído de fundo.

São questões clínicas diferentes.

Estudos têm investigado se uma audição alargada nas altas frequências contribui para a perceção da fala, especialmente em ambientes auditivos difíceis. Existem indícios de uma associação, mas a relação não é suficientemente simples para se poder afirmar que uma audição deficiente acima dos 8 kHz explique diretamente a dificuldade de um indivíduo em compreender a fala em ambientes ruidosos.

A perda prolongada na gama das altas frequências pode, por vezes, servir como um indicador de uma alteração coclear mais abrangente, em vez de ser a única razão pela qual a compreensão da fala se torna difícil.

Se a principal queixa for: «Consigo ouvir as pessoas, mas não consigo compreendê-las nos restaurantes», então a audiometria da fala e o teste de compreensão da fala no ruído podem fornecer informações mais diretamente relevantes.

Se o objetivo for monitorizar possíveis alterações ototóxicas, estabelecer uma linha de base alargada de alta frequência pode revelar-se consideravelmente mais importante.

O teste adequado depende da pergunta que está a ser feita.

É por isso que uma avaliação auditiva abrangente não deve transformar-se numa competição para realizar o maior número possível de testes. Cada medição deve contribuir com algo clinicamente útil.

Mais frequências só são úteis quando respondem à pergunta certa

A audiometria de alta frequência alarga a nossa visão da audição para além do limite convencional de 8 kHz.

Essas informações adicionais podem ser úteis.

Pode contribuir para a monitorização da ototoxicidade, servir de referência para pessoas em situação de risco específico e constituir uma ferramenta adicional de investigação quando os sintomas auditivos não são totalmente explicados pelos resultados convencionais.

Pode também identificar alterações nas frequências altas associadas ao envelhecimento, à exposição ao ruído ou a outros fatores que simplesmente não apareceriam num audiograma padrão.

Mas o teste tem de ser adequado.

Não permite prever com certeza o futuro da audição de uma pessoa. Não diagnostica danos causados pelo ruído com base num único limiar. Não substitui os testes de compreensão da fala, e um resultado anormal acima dos 8 kHz não significa automaticamente que a comunicação no dia a dia venha a ser prejudicada.

Na AudioCare, a questão relevante não é, portanto, simplesmente saber se a audiometria de alta frequência pode ser incluída numa avaliação.

A questão é se deve ser adicionado para esta pessoa.

Um doente submetido a um tratamento ototóxico apresenta um quadro clínico diferente do de alguém que procura tratamento para o zumbido. Um jovem músico com exposição significativa ao ruído apresenta um contexto diferente do de um adulto mais velho cuja sensibilidade às frequências muito altas se alterou gradualmente com a idade.

Os números só se tornam úteis quando interpretados em conjunto com a pessoa que os produziu.

Em última análise, é isso que a audiometria de alta frequência acrescenta a uma avaliação auditiva: não substitui os testes convencionais, mas constitui mais uma janela para o sistema auditivo quando existe uma razão clínica para olhar através dela.

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