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As necessidades auditivas não são definitivas para toda a vida.
Uma pessoa pode fazer um exame auditivo, receber uma recomendação adequada e sentir-se bem apoiada nas situações que mais importam. Meses ou anos mais tarde, no entanto, podem começar a surgir novas dificuldades em contextos que nunca fizeram parte da sua rotina.
Isto não significa necessariamente que a sua audição tenha piorado ou que os seus aparelhos auditivos já não sejam adequados. Por vezes, a mudança mais importante não ocorreu nos ouvidos, mas sim na vida que os rodeia.
A reforma pode substituir os dias de trabalho previsíveis por idas a restaurantes, viagens e encontros familiares. Um novo emprego pode trazer consigo reuniões online e escritórios em plano aberto. Os netos podem trazer para casa vozes mais rápidas e agudas. Mudar-se para o estrangeiro pode exigir a comunicação numa segunda língua e em ambientes acústicos desconhecidos.
Na AudioCare, os cuidados auditivos personalizados baseiam-se tanto no perfil auditivo individual como nas situações em que a audição tem de funcionar. Porque não há duas pessoas que ouçam exatamente da mesma forma, nem ninguém que viva exatamente a mesma vida para sempre.
Uma solução auditiva reflete um momento específico da sua vida
Uma avaliação audiológica fornece informações essenciais sobre a sensibilidade auditiva, o reconhecimento da fala, a saúde auditiva e o funcionamento do ouvido médio. Além disso, dá início a uma conversa mais prática sobre a forma como a pessoa comunica no dia a dia.
Onde é que surgem as dificuldades? Quem é que é mais difícil de compreender? Que tipos de ambientes são evitados? O que é que a pessoa mais gostaria de melhorar?
As respostas ajudam o audiologista a definir prioridades. Para alguém que leva uma vida tranquila e que, normalmente, fala com uma pessoa de cada vez, uma conversa confortável em casa pode ser o objetivo principal. Para uma pessoa com uma vida profissional ativa, as reuniões, as chamadas telefónicas e as mudanças rápidas entre ambientes auditivos podem ser mais importantes.
Estas prioridades são válidas, mas refletem uma fase específica da vida. Quando as circunstâncias mudam, a avaliação inicial continua a ser clinicamente útil, mas as exigências práticas impostas à audição podem já não ser as mesmas.
Uma solução auditiva que funcionou extremamente bem para a rotina de ontem pode, por isso, necessitar de alguns ajustes para a de hoje.
Esta é uma das razões pelas quais os cuidados auditivos não devem ser tratados como um simples procedimento técnico. A adaptação inicial estabelece um ponto de partida baseado em evidências, mas é a vida real que determina se esse ponto de partida continua a satisfazer as necessidades da pessoa.
O perfil auditivo da pessoa pode permanecer relativamente estável, enquanto os ambientes à sua volta se tornam mais complexos. Por outro lado, a vida quotidiana pode tornar-se mais silenciosa, tornando algumas funções que antes eram importantes menos relevantes.
Os cuidados personalizados devem, por isso, ter em conta que as necessidades auditivas evoluem ao longo do tempo, mesmo quando os resultados dos testes auditivos apresentam poucas alterações.
O trabalho, a reforma e as rotinas diárias impõem diferentes exigências em termos de audição
As mudanças no ambiente de trabalho estão entre os exemplos mais evidentes de como as necessidades auditivas podem evoluir.
Uma pessoa que passe de um escritório privado para um ambiente em plano aberto pode, de repente, ter de lidar com vozes que se sobrepõem, reverberação e atividade de fundo constante. Uma promoção pode implicar mais reuniões, apresentações e discussões em grupo. O trabalho à distância pode aumentar a dependência de videochamadas, auscultadores e áudio do computador.
Uma pessoa que antes se desenrascava bem pode começar a deixar escapar pormenores, a confundir palavras semelhantes ou a sentir-se invulgarmente cansada após as reuniões. Estas situações são, por vezes, interpretadas como uma deterioração súbita da audição. Na realidade, a dificuldade pode simplesmente ter-se tornado mais visível porque o novo ambiente é menos tolerante.
Uma análise deve explorar as circunstâncias exatas em que a comunicação falha. A fala só é pouco clara durante as reuniões online? O problema ocorre quando vários colegas falam ao mesmo tempo? É mais difícil acompanhar o que se diz num dos lados da mesa de reuniões? A compreensão melhora quando existem pistas visuais disponíveis?
Dependendo dos resultados, a resposta poderá envolver ajustes no dispositivo, apoio à conectividade, alterações ambientais ou estratégias de comunicação. A solução deve basear-se no problema real e não numa suposição geral de que tudo tem de ser aumentado de volume.
A reforma representa um tipo diferente de transição. É frequentemente vista como um passo em direção a dias mais tranquilos, mas, para muitas pessoas, traz consigo uma rotina mais variada e socialmente ativa.
A comunicação profissional pode ser substituída por almoços com amigos, atividades comunitárias, palestras, eventos culturais ou viagens frequentes. Em vez de falar com colegas conhecidos em contextos previsíveis, a pessoa pode passar mais tempo em restaurantes, auditórios e conversas em grupo.
Alguém que anteriormente utilizava aparelhos auditivos principalmente para conversas a sós pode agora precisar de maior apoio em ambientes ruidosos ou em que a situação muda rapidamente. O contrário também pode acontecer. Uma pessoa que abandona um local de trabalho exigente pode verificar que algumas funções que antes eram essenciais passam a ser utilizadas com menos frequência, enquanto a televisão, as conversas descontraídas ou a perceção do que se passa no exterior se tornam mais importantes.
A reforma não é, portanto, o fim de uma história audiológica. Pode marcar o início de uma nova experiência auditiva.
A família, as viagens e novos interesses podem alterar o que é mais importante
As mudanças na família costumam alterar as prioridades em matéria de audição de formas que se sentem profundamente pessoais.
A chegada dos netos é um exemplo comum. As crianças pequenas podem falar em voz baixa, rapidamente ou de costas para quem as ouve. As suas vozes podem ter um tom mais agudo do que o de muitos adultos, e a sua pronúncia ainda está em desenvolvimento. Também tendem a comunicar enquanto se movimentam, brincam ou em meio ao ruído doméstico.
Uma pessoa que não tem grande dificuldade em compreender um parceiro adulto numa sala silenciosa pode, por isso, ter dificuldade em acompanhar o que diz um neto durante uma refeição em família.
Esta diferença pode ser emocionalmente significativa. Deixar escapar um pormenor profissional pode ser frustrante. Deixar escapar repetidamente a história de uma criança pode parecer muito mais importante.
Outras mudanças na família também são importantes. O cônjuge pode passar a falar mais baixo. Um familiar pode vir morar em casa. As refeições em família podem tornar-se mais numerosas e barulhentas. A comunicação pode passar a realizar-se cada vez mais através de videochamadas com familiares que vivem no estrangeiro.
As viagens apresentam outro conjunto de desafios auditivos. Nos aeroportos e nas estações ferroviárias, os anúncios misturam-se com o ruído da multidão e a reverberação. As visitas guiadas podem envolver conversas à distância. Os quartos de hotel têm televisões, telefones e sistemas de alarme com os quais não estamos habituados. O vento e o tráfego podem interferir nas conversas ao ar livre.
Mudar-se para o estrangeiro acrescenta ainda mais complexidade. Compreender o que se diz numa segunda língua normalmente proporciona menos pistas contextuais do que ouvir na própria língua materna. Um sotaque que é fácil de acompanhar numa sala silenciosa pode tornar-se difícil num café, numa consulta médica ou num ambiente administrativo.
Isto não indica necessariamente uma nova perda auditiva. Pode revelar a forma como a audição, o domínio da língua, a acústica da sala e o ruído de fundo interagem entre si.
Novos passatempos também podem alterar as prioridades. Entrar para um coro, assistir a palestras, aprender uma língua ou participar em exercícios em grupo cria, em cada caso, um ambiente acústico diferente. Em algumas atividades, a clareza da fala é fundamental. Noutras, a qualidade do som, a perceção espacial ou o conforto durante longos períodos podem ser mais importantes.
Estas experiências fornecem informações clínicas úteis. Mostram em que aspetos a abordagem atual é bem-sucedida e em que aspetos poderá ser benéfico aperfeiçoá-la.
As capacidades físicas e a tecnologia podem mudar, mesmo quando a audição não muda
As necessidades auditivas podem evoluir mesmo quando os limiares auditivos se mantêm relativamente estáveis.
A destreza pode influenciar a facilidade com que uma pessoa manuseia pilhas pequenas, cúpulas ou comandos. Alterações na visão podem tornar os indicadores, as ligações de carregamento ou os ecrãs dos smartphones mais difíceis de utilizar. A sensibilidade da pele ou alterações na forma da orelha podem afetar o conforto físico.
A utilização da tecnologia também pode sofrer alterações consideráveis ao longo do tempo.
Uma pessoa que antes fazia poucas chamadas pelo telemóvel pode passar a depender de um smartphone para contactar a família, utilizar a navegação e gerir compromissos. A comunicação por vídeo pode tornar-se mais importante. Uma nova televisão, computador ou tablet pode suscitar questões de conectividade que não existiam na altura da instalação inicial.
Estas alterações têm impacto nas funcionalidades que são realmente úteis.
A AudioCare trabalha exclusivamente com soluções auditivas da Signia, sempre que os aparelhos auditivos sejam clinicamente indicados. A Signia oferece diferentes modelos, opções recarregáveis, funções de conectividade e funcionalidades de processamento automático do som, mas nenhuma funcionalidade deve ser selecionada apenas pelo facto de estar disponível.
A tecnologia tem valor quando responde a uma necessidade real e pode ser utilizada com confiança.
Uma adaptação meticulosa tem em conta os limiares auditivos, a compreensão da fala, a destreza, a capacidade visual, as preferências e a tecnologia já presente na rotina diária da pessoa. Uma funcionalidade altamente sofisticada pode revelar-se ineficaz se for de difícil acesso, mal compreendida ou alheia às reais necessidades de comunicação da pessoa.
O mesmo princípio aplica-se ao design físico. Um aparelho que era fácil de manusear há vários anos pode tornar-se mais difícil de utilizar se houver alterações nos movimentos das mãos, na visão ou na sensibilidade. Nesses casos, a questão pode nem sequer ser a qualidade do som. Pode ser a facilidade de utilização.
Os cuidados auditivos personalizados devem ter em conta a experiência na sua totalidade, e não apenas o que acontece do ponto de vista acústico.
Uma avaliação deve determinar se a audição, a tecnologia ou a vida sofreram alterações
Quando se torna mais difícil ouvir, é importante não fazer suposições sobre a causa.
A sensibilidade auditiva pode ter-se alterado. A cera no ouvido, problemas no ouvido médio ou outras condições relacionadas com os ouvidos podem estar a afetar a transmissão do som. Um aparelho auditivo pode necessitar de limpeza, manutenção ou reparação. Em alternativa, o aparelho pode estar a funcionar corretamente, mas a pessoa está agora a exigir que ele funcione em situações mais complexas.
Uma análise estruturada pode ajudar a distinguir entre estas possibilidades.
A otoscopia por vídeo permite examinar o canal auditivo e o tímpano. A audiometria de tom puro permite identificar alterações nos limiares auditivos. A audiometria de fala fornece informações sobre o reconhecimento de palavras faladas, enquanto o teste de fala no ruído permite avaliar as dificuldades que surgem na presença de ruído de fundo.
A AudioCare também pode recorrer ao teste do Limiar de Contraste Auditivo (ACT), sempre que for adequado. O ACT fornece informações adicionais sobre a capacidade de uma pessoa para detetar contrastes em sons complexos e pode ajudar a orientar a otimização das funcionalidades dos aparelhos auditivos.
Nenhum teste, por si só, descreve a experiência auditiva na sua totalidade. Os resultados devem ser considerados em conjunto com os ambientes, as relações e as atividades que se alteraram.
O acompanhamento faz, portanto, parte dos cuidados auditivos, não sendo um extra opcional.
Durante uma consulta de acompanhamento, o audiologista pode inspecionar e fazer a manutenção dos aparelhos, analisar informações sobre a utilização, ajustar as configurações, reavaliar a audição e discutir estratégias de comunicação. Algumas dificuldades podem ser resolvidas através de ajustes relativamente pequenos. Outras podem exigir exames adicionais ou uma reavaliação mais abrangente.
O objetivo não é a renovação tecnológica constante. É a relevância clínica contínua.
Uma solução auditiva bem escolhida deve ser adaptável, mas essa adaptação depende de informações precisas sobre o que funciona e o que não funciona no dia a dia.
Não é necessário esperar que a audição piore visivelmente para solicitar uma reavaliação. Considere marcar uma consulta quando um novo emprego, a reforma, uma viagem, circunstâncias familiares ou atividades sociais criarem situações auditivas que lhe pareçam inesperadamente difíceis.
É igualmente aconselhável fazer uma revisão quando os aparelhos auditivos se tornam desconfortáveis, mais difíceis de utilizar ou menos compatíveis com a tecnologia utilizada no dia a dia.
Antes da consulta, identifique duas ou três situações específicas em que a comunicação tenha mudado. A frase «Não estou a ouvir bem» fornece pouca informação ao profissional de saúde. «Compreendo o meu parceiro em casa, mas perco o fio à conversa quando os nossos netos nos visitam» é muito mais útil.
Na AudioCare, os cuidados auditivos personalizados são meticulosamente desenvolvidos em função das nuances do perfil auditivo de cada pessoa. Esse processo não termina após a primeira avaliação ou adaptação.
E isso continua à medida que as rotinas, as responsabilidades, as relações e as prioridades vão evoluindo.
Porque não há duas pessoas que ouçam da mesma forma. E mesmo a mesma pessoa nem sempre precisará de ouvir da mesma forma ao longo da vida.
Referências
- https://www.nice.org.uk/guidance/ng98
- https://www.nice.org.uk/guidance/ng98/chapter/recommendations
- https://www.thebsa.org.uk/guidance-and-resources/current-guidance/
- https://www.thebsa.org.uk/wp-content/uploads/2023/10/OD104-80-BSA-Practice-Guidance-Speech-in-Noise-FINAL.Feb-2019.pdf
- https://www.thebsa.org.uk/wp-content/uploads/2023/10/REMS-2018.pdf
- https://audiocare.pt/pure-tone-speech-audiometry/
- https://audiocare.pt/speech-in-noise-act-test/
- https://audiocare.pt/guidance-and-fitting-of-hearing-aids/
- https://www.signia.net/en/hearing-aids/
