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Por que é que o estilo de vida é importante na escolha dos aparelhos auditivos

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É frequente as pessoas chegarem a uma consulta de audiologia à espera que a questão principal seja a potência do aparelho de que necessitam. É uma suposição razoável, mas é apenas metade da história. Duas pessoas podem entrar com audiogramas quase idênticos e sair com aparelhos auditivos muito diferentes, e ambas as escolhas podem estar absolutamente corretas. A razão é simples: um aparelho auditivo tem de se adaptar a um estilo de vida, não apenas a um ouvido, e os estilos de vida diferem enormemente.

Este é um dos aspetos mais úteis a ter em conta antes de fazer a escolha. O audiograma indica-nos qual o nível de amplificação necessário e em que frequências. O seu dia-a-dia revela-nos quase tudo o resto, desde o tipo de aparelho mais adequado para si até às funcionalidades que realmente valem a pena e aquelas que pode ignorar sem problemas. Na AudioCare, trabalhamos em parceria com a Signia, e grande parte do nosso trabalho consiste em combinar o aparelho Signia certo e as definições adequadas com o modo de vida de cada pessoa.

O mesmo audiograma, duas vidas diferentes

Imagine duas pessoas com a mesma perda auditiva moderada. Uma está reformada, desfruta de uma casa tranquila perto da costa, lê muito e encontra-se com amigos para almoçar em ambientes tranquilos. A outra ainda trabalha, passa as tardes em cafés movimentados, conduz bastante, atende chamadas telefónicas constantemente e gosta de música ao vivo ao fim de semana. Em teoria, as necessidades auditivas de cada uma são semelhantes, mas as exigências que impõem a um aparelho auditivo não são, de forma alguma, as mesmas.

A primeira pessoa pode ficar muito satisfeita com um aparelho simples e confortável, que lida na perfeição com conversas e televisão. A segunda precisa de um aparelho que lide com o ruído de fundo, alterne facilmente entre as configurações, se ligue a um telemóvel e resista a um ritmo de vida ativo. Equipar ambas com o mesmo modelo e programa deixaria pelo menos uma delas desiludida, mesmo que o teste auditivo tivesse dado os mesmos resultados.

Tudo começa pelo local onde se ouve

A questão mais reveladora é onde passa as suas horas a ouvir. Uma conversa tranquila, cara a cara, exige muito pouco de um aparelho auditivo. Um restaurante barulhento, um passeio com vento, um grupo à volta de uma mesa de jantar ou uma reunião movimentada exigem muito mais, porque o aparelho tem de realçar a voz que deseja ouvir, ao mesmo tempo que suprime o ruído que não quer ouvir. Os aparelhos auditivos modernos utilizam microfones direcionais e gestão de ruído para ajudar precisamente nisso, e o grau de sofisticação necessário dessas funcionalidades depende da frequência com que se encontra em ambientes verdadeiramente difíceis.

Também é importante ter em conta que uma pessoa passa por muitos destes ambientes num dia normal, desde uma cozinha tranquila ao pequeno-almoço até um supermercado cheio a meio da manhã. Algumas pessoas preferem que o aparelho auditivo reconheça o ambiente e se ajuste automaticamente, enquanto outras preferem programas distintos que possam selecionar manualmente. Qual destas opções se adequa melhor a si é, mais uma vez, uma questão de temperamento e rotina, e não da própria perda auditiva.

É por isso que uma adaptação cuidadosa inclui uma conversa aprofundada sobre a sua semana. Alguém cuja situação de audição mais difícil é a televisão em casa tem prioridades muito diferentes das de alguém que está constantemente a deslocar-se entre mercados, cafés e encontros sociais por todo o Algarve. Identificar essas situações com honestidade é o que permite que o dispositivo e os seus programas sejam concebidos a pensar nelas, em vez de contra elas.

Quando os botões pequenos se tornam um grande problema

A facilidade de manuseamento é muito mais importante do que as pessoas imaginam, e é fácil ignorar esse aspeto no momento da escolha. As pequenas pilhas descartáveis são difíceis de manusear e, para quem tem destreza reduzida, artrite ou visão limitada, podem tornar-se uma fonte diária de frustração. Os aparelhos auditivos recarregáveis, que basta colocar numa base de carregamento durante a noite, eliminam completamente esse problema e tornaram-se uma escolha popular apenas por essa razão. Da mesma forma, os aparelhos intra-canal mais pequenos parecem maravilhosamente discretos, mas podem ser difíceis de inserir e ajustar, enquanto um modelo ligeiramente maior é frequentemente muito mais fácil de manusear.

Nada disto aparece num audiograma, mas pode determinar se um aparelho auditivo será usado todos os dias ou se acabará por ser discretamente abandonado numa gaveta. Vale bem a pena experimentar os aparelhos durante a consulta, abrir o carregador, colocá-los e retirá-los, antes de se tomar qualquer decisão. Um aparelho que não consiga utilizar com conforto simplesmente não é o aparelho certo, por melhor que soe na clínica.

Até que ponto queres que sejam visíveis?

A aparência é um fator real na decisão, não uma questão de vaidade, e merece uma conversa franca, em vez de olhares de espanto. Algumas pessoas querem a opção mais discreta disponível e aceitam de bom grado as desvantagens que os aparelhos muito pequenos acarretam. Outras preferem um modelo retroauricular que possam manusear facilmente e não vêem qualquer motivo para o esconder. Os modelos com recetor no canal tornaram-se populares precisamente porque conseguem um equilíbrio, mantendo-se pequenos e discretos, mas sem deixar de oferecer funcionalidades e conforto.

Não existe aqui uma resposta universalmente correta, apenas aquela que melhor se adequa a si. O que importa é que a escolha seja feita com uma compreensão clara das vantagens e desvantagens, porque o dispositivo mais pequeno não é automaticamente o melhor, e o mais visível não é automaticamente o mais capaz.

Telemóveis, televisão e manter-se ligado

A forma como utiliza a tecnologia influencia a escolha tanto quanto qualquer outro fator. Se grande parte do seu dia envolve o telefone, videochamadas ou música em streaming, os aparelhos auditivos que se ligam diretamente ao seu telemóvel ou televisão podem fazer uma diferença significativa, transmitindo o som diretamente aos seus ouvidos num volume adequado para si. Se costuma frequentar teatros, igrejas ou edifícios públicos equipados com circuitos de indução magnética, uma configuração de bobina telefónica permite-lhe tirar partido desses sistemas. Se, por outro lado, raramente utiliza qualquer uma destas funcionalidades, pagar por funcionalidades de conectividade sofisticadas acrescenta muito pouco.

A verdade é que estas funcionalidades são excelentes quando se adequam aos seus hábitos e desnecessárias quando não o fazem. Muitos aparelhos oferecem também uma aplicação discreta para smartphone que permite ajustar o volume ou mudar de programa sem que ninguém repare, o que algumas pessoas consideram libertador e outras nunca utilizam. Descobrir em que grupo se enquadra faz parte de uma boa escolha, e é muito mais fácil decidir com alguém que lhe possa mostrar o que cada opção realmente faz na prática.

Adaptar o aparelho à vida, e não o contrário

A escolha do aparelho auditivo certo segue uma única direção. Partimos da sua vida, do seu trabalho, dos seus passatempos e dos ambientes e conversas que são importantes para si, e escolhemos o aparelho e as suas configurações de forma a adaptá-los a esses aspetos. O audiograma define os limites; a sua rotina preenche os detalhes. Vale a pena ser realista desde o início: os aparelhos auditivos não restauram uma audição perfeita, mas tornam o som mais nítido e a conversa mais fácil, e quanto mais estiverem adaptados às suas circunstâncias, mais esses benefícios se fazem sentir na vida quotidiana.

Na AudioCare, na Guia, dedicamos tempo a compreender tudo isto antes de fazer qualquer recomendação e, enquanto parceiros da Signia, conseguimos adequar o aparelho, o estilo e as funcionalidades à pessoa que temos à nossa frente. Igualmente importante é o facto de continuarmos a acompanhá-lo posteriormente, ajustando e aperfeiçoando o aparelho à medida que as suas necessidades e rotinas mudam, porque a vida à qual um aparelho auditivo tem de se adaptar raramente é algo fixo. Se está a ponderar as suas opções, o primeiro passo mais útil é uma conversa sobre como passa realmente os seus dias, e não uma lista de especificações.

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