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Como interpretar o seu audiograma: o que as linhas realmente significam

Índice

Muitas pessoas saem de uma avaliação auditiva com uma folha cheia de símbolos, linhas e números, mas sem compreenderem bem o que estes realmente significam. O audiograma é uma das ferramentas mais importantes da audiologia, mas é frequentemente mal interpretado. Alguns pacientes concentram-se em saber se os seus resultados são «bons» ou «maus». Outros comparam o seu gráfico com o de um amigo e questionam-se por que razão as suas experiências auditivas parecem completamente diferentes, apesar de os resultados parecerem semelhantes.Many people leave a hearing assessment with a sheet of paper full of symbols, lines, and numbers, but little understanding of what they actually mean. The audiogram is one of the most important tools in audiology, yet it is often misunderstood. Some patients focus on whether their results are “good” or “bad”. Others compare their graph to a friend’s and wonder why their hearing experiences seem completely different despite similar-looking results.

Um audiograma é mais do que apenas um gráfico de resultados. É um mapa que mostra como os seus ouvidos respondem a diferentes sons, abrangendo uma variedade de frequências e níveis sonoros. Saber interpretar este mapa pode ajudá-lo a compreender melhor as conversas com o seu audiologista, a entender as recomendações relativas ao tratamento ou aos aparelhos auditivos e a perceber por que razão surgem dificuldades auditivas em situações específicas.

As duas principais medidas: altura e intensidade sonora

Todo o audiograma se baseia em dois elementos fundamentais: frequência e intensidade.

A frequência refere-se ao tom de um som e é medida em hertz (Hz). As frequências mais baixas correspondem a sons mais graves, como o de um baixo, um trovão distante ou a voz grave de um homem. As frequências mais altas correspondem a sons mais agudos, como o canto dos pássaros, as vozes das crianças ou consoantes como o «s», o «f» e o «th».

Num audiograma, as frequências são apresentadas horizontalmente na parte superior do gráfico, variando normalmente entre 250 Hz e 8000 Hz. Deslocar-se da esquerda para a direita significa passar de sons mais graves para sons mais agudos.

A intensidade refere-se ao volume e é medida em decibéis de nível auditivo (dB HL). Esta escala estende-se verticalmente ao longo do gráfico. Os sons na parte superior são muito suaves, enquanto os sons na parte inferior são mais altos.

Um aspeto que muitas vezes surpreende os pacientes é que a audição funciona de forma inversa no eixo vertical. Uma melhor audição aparece mais acima no gráfico, enquanto uma audição mais fraca aparece mais abaixo. Um limiar de 10 dB HL significa que são detetados sons mais suaves do que um limiar de 50 dB HL.

Os pontos assinalados no audiograma representam os sons mais fracos que conseguiu ouvir em cada frequência durante o teste.

Compreender os símbolos

A maioria dos audiogramas utiliza símbolos internacionais padrão para representar cada ouvido.

A orelha direita é normalmente assinalada com um círculo vermelho (O).

A orelha esquerda é normalmente marcada com uma cruz azul (X).

Estes símbolos estão ligados por linhas para facilitar a visualização do padrão auditivo global.

Podem surgir símbolos adicionais quando se realiza um teste de condução óssea. A condução óssea contorna o ouvido externo e o ouvido médio e avalia a capacidade de resposta do ouvido interno ao som. Estes símbolos ajudam os audiologistas a determinar se a perda auditiva tem origem no ouvido externo, no ouvido médio, no ouvido interno ou numa combinação destas áreas.

Embora o gráfico possa parecer técnico à primeira vista, a maioria dos audiogramas é, na verdade, bastante simples, assim que se compreende que cada símbolo representa o som mais fraco ouvido numa determinada frequência.

Como é a «audição normal»?

Muitas pessoas pensam que uma audição normal significa ouvir todos os sons na perfeição. Na realidade, a audição varia naturalmente de pessoa para pessoa.

A maioria dos audiologistas considera que os limiares auditivos entre aproximadamente -10 dB HL e 20 dB HL se situam dentro do intervalo de audição normal para adultos.

Num audiograma, isto significa que os símbolos situam-se perto da parte superior do gráfico.

Em geral, espera-se que uma pessoa cujos limiares se situem consistentemente nesta faixa consiga ouvir os sons do quotidiano sem dificuldades significativas em condições de audição favoráveis.

No entanto, o facto de um audiograma indicar uma audição «normal» não garante automaticamente uma comunicação sem esforço em todas as situações. O ruído de fundo, a acústica da sala, a fadiga, a atenção e os fatores cognitivos influenciam, todos eles, o desempenho auditivo.

Esta distinção é importante porque ouvir e compreender são processos relacionados, mas distintos.

Os diferentes graus de perda auditiva

Os audiologistas costumam classificar a perda auditiva de acordo com os limiares auditivos médios medidos nas principais frequências da fala.

A perda auditiva ligeira situa-se geralmente entre os 21 e os 40 dB HL.

A perda auditiva moderada situa-se normalmente entre os 41 e os 70 dB HL.

A perda auditiva grave situa-se normalmente entre os 71 e os 90 dB HL.

A perda auditiva profunda geralmente ultrapassa os 90 dB HL.

Estas categorias constituem uma orientação útil, mas não devem ser consideradas como rótulos rígidos.

Uma pessoa com perda auditiva ligeira pode ter dificuldades consideráveis em restaurantes ou reuniões, enquanto outra pessoa com perda auditiva moderada pode adaptar-se surpreendentemente bem em muitas situações.

A localização da perda auditiva no audiograma é, muitas vezes, tão importante quanto a sua gravidade global.

Por que é que a perda auditiva nas frequências altas é tão importante

Um dos problemas mais comuns observados em adultos é a perda auditiva de alta frequência.

Nesta situação, a audição pode permanecer relativamente boa para os sons de tom mais grave, enquanto diminui nas frequências mais altas.

Este padrão afeta frequentemente a clareza da fala mais do que o volume da voz.

As vogais tendem a conter energia de frequência mais baixa e, muitas vezes, ainda são ouvidas com razoável clareza. As consoantes, no entanto, contêm grande parte dos detalhes que distinguem as palavras umas das outras.

Por exemplo, as palavras «fit», «sit» e «hit» têm sons vocálicos semelhantes. As consoantes no início fornecem a informação necessária para as distinguir.

Quando ocorre uma perda auditiva de alta frequência, as pessoas referem frequentemente que conseguem ouvir os outros a falar, mas nem sempre compreendem o que foi dito.

Esta é uma das razões pelas quais os doentes costumam dizer: «Consigo ouvir as pessoas a falar, mas não consigo perceber o que dizem.»

Por que é que duas pessoas com o mesmo audiograma podem ouvir de forma diferente

Este é um dos conceitos mais importantes da audiologia moderna. Duas pessoas podem ter audiogramas quase idênticos e, no entanto, descrever experiências auditivas muito diferentes. O audiograma mede a sensibilidade auditiva num ambiente de teste silencioso. A vida real raramente é silenciosa. Restaurantes, reuniões familiares, reuniões de trabalho, programas de televisão, ruas movimentadas e eventos sociais envolvem todos sons concorrentes que desafiam o sistema auditivo.

Os fatores que influenciam a comunicação na vida real incluem:

  • A capacidade do cérebro para processar a fala em ambientes ruidosos.
  • Atenção e concentração.
  • Esforço de escuta.
  • Cansaço.
  • Alterações no processamento auditivo associadas à idade.
  • Experiência anterior em audiências.
  • Familiaridade com a língua.
  • Memória e carga cognitiva.

Por esse motivo, as avaliações auditivas modernas incluem cada vez mais testes de compreensão da fala, testes de compreensão da fala em ambiente ruidoso e análises detalhadas sobre situações auditivas do dia a dia.

O audiograma constitui uma base fundamental, mas não é tudo.

Por que razão os audiologistas vão além do gráfico

Um bom audiologista não se limita a olhar para uma linha num gráfico e a recomendar uma solução.

O audiograma é interpretado em conjunto com os sintomas, o historial médico, o estilo de vida, os objetivos de comunicação e os resultados de exames complementares.

Dois pacientes com limiares auditivos semelhantes podem receber recomendações muito diferentes, dependendo das suas necessidades.

Uma pessoa que passa grande parte do tempo em reuniões pode beneficiar de uma estratégia de aparelho auditivo diferente daquela de alguém que comunica principalmente em ambientes domésticos mais silenciosos.

Da mesma forma, sintomas como zumbido, sensação de pressão nos ouvidos, tonturas ou alterações repentinas na audição podem exigir exames complementares, independentemente do que o audiograma revele.

O gráfico é uma importante ferramenta de diagnóstico, mas constitui apenas uma parte do quadro clínico global.

Compreender a sua saúde auditiva

Um audiograma é frequentemente o primeiro passo para compreender como os seus ouvidos respondem ao som. Assim que souber interpretar os símbolos, as frequências e os níveis de audição, o gráfico torna-se muito menos intimidante e muito mais útil.

A mensagem principal é que a audição não se resume apenas ao volume. O tom, a clareza da fala, os ambientes de audição e o processamento cerebral desempenham todos papéis importantes na comunicação.

Se fez recentemente um exame auditivo e não tem a certeza do que significam os resultados, pode ser extremamente útil pedir ao seu audiologista para lhe explicar o audiograma frequência a frequência. Compreender o seu próprio perfil auditivo ajuda-o a tomar decisões informadas, a reconhecer alterações mais cedo e a perceber por que razão certas situações auditivas podem parecer mais difíceis do que outras.

Em última análise, o objetivo não é apenas ler as linhas do gráfico. Trata-se de compreender o que essas linhas significam para a vida quotidiana e como o apoio adequado pode ajudá-lo a comunicar com maior confiança.

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